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UNISAL - opção de qualidade
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Artigos
Turismo
na Terceira Idade: uma preocupação para os planejadores
Eu
fiz um acordo pacífico com o tempo, nem ele me
persegue, nem eu fujo dele. Um dia a gente se
encontra.
Mário
Lago
O
setor produtivo seguindo uma tendência mundial, que reforça cada vez mais as
individualidades, permite que as pessoas sejam tratadas como únicas, ou ao
menos, assim se sintam na aquisição de determinado produto ou serviço. Dentro
da atividade turística não é diferente, o setor através das várias
segmentações que o compõem (turismo rural, de negócios, de aventura,
pedagógico, ecológico, entre outros) procura dar ao cliente as opções que
mais estão relacionadas a sua motivação de viajar.
O
turismo de 3ª idade é uma dessas possibilidades, que podem reverter em
aspectos positivos para os idosos e também para todo o setor turístico. A
partir da constatação do envelhecimento da população brasileira nos últimos
tempos, vários setores começam a se preocupar com a introdução no mercado de
produtos diretamente ligados as necessidades dessas pessoas.
Na
década de 60, apenas 5% da população tinha mais que 60 anos, as previsões
para 2020 são de cerca de 13% da população com essa idade ou mais. A quarta
idade, que engloba pessoas com 80 anos também terá uma representatividade
considerável cerca de 4,5 milhões pessoas.
A
integridade física e mental dos idosos é um aspecto muito importante a ser
trabalhado. Uma das ações muito positiva feita nesse sentido foi a criação
dos grupos de 3º idade. O primeiro grupo com 12 idosos surgiu em 1963 no SESC-
Carmo- São Paulo, a partir dessa experiência positiva, eles se multiplicaram
por todo o país. As atividades de lazer propiciadas nas reuniões e o próprio
encontro entre pessoas da mesma idade, já trazem alento àqueles que sem os
grupos permaneceriam solitários, em suas casas. O custeio de muitas das
atividades realizadas fica em parte por conta do poder público, facilitando o
ingresso dessa população, que em nosso país vive com uma remuneração muito
baixa.
A
maioria dos freqüentadores desses grupos são mulheres, que nunca tiveram uma
atividade remunerada fora do lar e sobrevivem com o auxílio dos filhos e a
pensão do marido, a qual é ainda mais reduzida que aposentadoria integral.
Apesar
dessa dura realidade, existe dentro desse cenário pessoas que dispõem de
condições de ter acesso a outras atividades, além das de lazer promovidas
pelos grupos. Essas pessoas podem viajar. Segundo a ABAV - Associação
Brasileira das Agências de Viagem apurou recentemente, 20% da receita gerada
pelo turismo brasileiro é proveniente do fluxo dos turistas da chamada terceira
idade - pessoas com mais 60 anos. Por terem mais tempo livre, essas pessoas
podem viajar em baixa temporada com um desconto de até 30%.
Mais
uma vez são as mulheres que predominam nas viagens turísticas. Com uma
expectativa de vida de 7 anos a mais que os homens em média (72 anos mulheres e
65 anos os homens), as mulheres constituem um público mais fiel e viajam
durante todo o ano, mais ainda na baixa estação.
Para
incrementar essa possibilidade a EMBRATUR, criou o Clube da Melhor Idade que dá
incentivos, para que essa população possa viajar ainda mais, entre os
objetivos dessa associação podemos citar:
-
Melhorar
a qualidade de vida das pessoas acima de 50 anos;
-
Criar,
filiar e congregar Clubes da Melhor Idade nos Estados;
-
Incentivar
os associados a participarem de atividades ocupacionais, tais como: viagens,
seminários, encontros, congressos, espetáculos, cursos, programação
artístico-cultural e desportiva;
-
Aproveitar
conhecimento e habilidades dos associados, tornando-os agentes
multiplicadores para gerar emprego e/ou aumentar a renda familiar, como
fator de produção;
-
Oportunizar
convênios para obtenção de descontos nos serviços turísticos;
-
Promover
o intercâmbio e conhecimento entre cidadãos de diferentes países, ou
seja, o "intercâmbio internacional".
Assim
os idosos podem se unir para ter direito aos benefícios dessa associação e os
empresários podem também se conveniar a esses clubes existentes em vários
estados e cidades, ampliando as chances de aumentar o fluxo turístico, para sua
cidade ou equipamento, em períodos de baixa temporada.
Como
estudiosos da área torcemos para que novas ações sejam tomadas no sentido de
ampliar as condições de acesso ao turismo e lazer a maior parte dessa faixa
etária, visto que acreditamos que os benefícios para essa população podem
ser muitos, relacionados principalmente ao convívio social, o que está
diretamente vinculado ao seu bem estar físico.
Mas
ainda existe um longo caminho a percorrer, para que os diversos equipamentos
turísticos (agencias, empresas de transportes, hotéis e restaurantes) estejam
aptos a receber esse público.
Profª
Drª Eliane Guerreiro Rossetti Padovani - Coordenadora do Curso de Turismo
do UNISAL- Unidade Americana.
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