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Artigo
O
Filósofo e o eclipse solar de 28 de maio de 585 a. C.*
A
Escola Jônica desenvolveu-se entre os séculos VII e VI a .C. na cidade de
Mileto, importante porto comercial situado na costa da Ásia Menor (hoje território
da Turquia). Entre os historiadores, há o consenso de que se trata da primeira
escola de filosofia, sendo Tales, seu fundador, o primeiro filósofo da história.
O
primeiro problema filosófico enfrentado pela Escola Jônica foi saber qual é a
origem, o princípio, qual a substância primordial (a arché, em grego) de tudo
que existe. Pela primeira vez o homem busca explicação da natureza dentro da
natureza. Este comportamento leva ao abandono das explicações mitológicas que
eram dadas anteriormente ao surgimento da filosofia, aquilo que alguns
historiadores costumam chamar de "milagre grego", ou seja, a passagem
do saber mítico para o pensamento racional, filosófico. Os pensadores jônios
podem ser vistos como precursores da ciência moderna e que não há razão para
duvidar que Tales foi o primeiro ser humano a merecer legitimamente ser
considerado um cientista.
Para
Tales a arché, a matéria prima, a origem de tudo é a água, Tales diz:
"Tudo é água". Segundo Aristóteles, a contribuição de Tales é
relevante enquanto investiga o porquê das coisas. Para ele, "a terra
flutua na água, que é de certo modo a origem de todas as coisas".O filósofo
alemão Nietzsche diz que Tales é um mestre criador que, sem fabulação fantástica,
começou a ver a natureza em suas profundezas. Para isso, serviu-se da ciência
e do demonstrável, mas logo foi além deles, já que isso é uma característica
típica da cabeça filosófica.
Considerado
o "Pai" da filosofia ocidental, estudioso da matemática, geometria e
astronomia, alguns historiadores consideram, todavia, que sua colocação pelos
antigos entre os "sete sábios da Grécia" deveu-se principalmente à
sua atuação política: teria tentado unir as polis gregas da Ásia Menor numa
confederação, no intuito de fortalecer o mundo helênico diante das ameaças
de invasões de povos orientais. Foi proclamado pelo Oráculo de Delfos como o
primeiro dos sete sábios da antigüidade. A formação cultural e científica
de Tales de Mileto é proveniente de suas constantes viagens. Teve contato com a
Geometria no Egito e com a Astronomia na Babilônia, onde os conhecimentos de
Matemática datam de um milênio antes dele. Como matemático, são atribuídos
a ele os seguintes teoremas: um círculo é bissectado por um diâmetro; os ângulos
da base de um triângulo isósceles são iguais; os pares de ângulos opostos
formados por duas retas que se cortam são iguais; se dois triângulos são tais
que dois ângulos e um lado de um são iguais respectivamente a dois ângulos e
um lado de outro, então os triângulos são congruentes; que todos os ângulos
inscritos no meio circulo são retos e que, em todo triângulo, a soma de seus
ângulos internos é igual a 180 graus.
Conta-se
que numa das viagens ao Egito, Tales impressionou o Faraó, medindo a altura das
pirâmides pela observação do comprimento das sombras no momento em que a
sombra de um bastão vertical é igual à sua altura. Diz à tradição que
Tales previu o eclipse solar de 28 de maio de 585 a. C (exatamente há 2588
anos). De que maneira? A olho nu e sem nenhum instrumento sofisticado para a época?
Seria pura lenda que teria previsto com exatidão a hora e o dia em que
ocorreria o fenômeno ou realmente teria acertado a previsão em decorrência de
seus profundos conhecimentos na área da astronomia? De qualquer forma, Tales
foi o primeiro astrônomo a explicar o eclipse do sol, ao verificar que a Lua é
iluminada por este astro. O que parece mostrar e provar que as suas idéias
eram, não somente conhecidas, mas também largamente compartilhadas e
discutidas.
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Prof. Ary Meirelles Jacobucci
professor de Filosofia do Centro UNISAL - unidade Americana
Mestre em Educação
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