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Notícias
O preconceito atinge o setor turístico
No dia 11/05/06 foi exibido no SBT o programa Ver para Crer, que é exibido semanalmente pela emissora.
A pauta do programa se resume a mostrar coisas absurdas, grotescas, ou matérias sensacionalistas, dentre uma série delas que foram exibidas, gostaríamos de ressaltar uma sobre o 1º resort feito para pessoas obesas do mundo.
O Resort se chama Freedom Paradise, está localizado a 120km de Cancun, na região de Túlum no México.
O hotel foi todo adaptado para receber pessoas obesas. Não possui quase nenhuma escada, todas as trilhas possuem rampa, as camas são mais resistentes e maiores, as portas mais largas; o banheiro tem apoio e um banco para ajudar; as cadeiras da piscina e do restaurante também são mais largas e fortes; o cardápio, ao contrário do imaginado, não tem dietas e sim o que a “demanda” mais gosta; até a cantora contratada pelo hotel é obesa, e por último o resort também possui uma boutique especializada com roupas para obesos.
O hotel está fazendo muito sucesso e recebe milhares de turistas obesos, principalmente americanos, e segundo um dos administradores, que deu entrevista ao programa, o Freedom Paradise deu certo, pois os hóspedes se sentem muito confortáveis e não tem vergonha de colocar um traje de banho para aproveitar a praia e tomar sol, mesmo sendo obesos. Afinal lá todos são iguais, concluía o administrador.
Agora, eis a questão! Porque passar uma reportagem como essa num programa chamado “Ver para Crer”? Uma epidemia que atinge um grande número de pessoas faz com que as mesmas sejam tratadas como uma atração, como anomalias, em um programa de esquisitices, podemos classificar a situação no mínimo como anti-ética por parte do veículo de comunicação, ainda mais pelo tom dado pelos apresentadores. Dentro de um sistema de busca de lucro constante, provavelmente o investidor pensou na exploração de um nicho de mercado, cujos consumidores vão contra o padrão estético vigente, isso pode ser bom de um certo ponto de vista, contudo pode contribuir para reforçar ainda mais a segregação dessa população. Precisamos atentar para as novas exigências do mercado, contudo é preciso manter os padrões éticos acima de tudo.
Por: Cris Paloni
Aluna do 2º ano do curso de turismo.
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