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Coordenador do "Fome Zero", de Campinas, é professor do Centro UNISAL - Americana

(pela professora Denise Tavares, da Comunicação Social, UNISAL - Americana)

Marcos Francisco Martins

"Eu me sinto extremamente satisfeito porque, como Coordenador do "Fome Zero" posso colocar em prática, ainda mais, os compromissos éticos e político que, como cristão, eu tenho."

(Marcos Francisco Martins)

Quando há cerca de 10 anos o sociólogo Betinho envolveu e emocionou o país ao colocar o combate à fome como questão central de seu projeto de vida, o Brasil dava um passo fundamental para superar uma das mais indignas situações que o caracteriza como país injusto política, social e economicamente. Nesta época, o hoje professor e filósofo Marcos Francisco Martins, tinha apenas 24 anos e, provavelmente, não imaginava que cumpriria um papel fundamental em um projeto que aprendeu com os erros do passado e busca, agora, articular uma série de políticas para que o drama da fome possa, realmente, ser enfrentado nas suas várias matizes. Mas, o que é, afinal, o "Fome Zero"? Por que criar um projeto específico de combate à fome? Qual é o seu vínculo com o projeto assumido como prioridade do governo Lula?

Lançado oficialmente em 12 de fevereiro  de 2003 pela Prefeita Izalene, de Campinas, com a presença do ministro da Segurança Alimentar e Combate à Fome, José Graziano, e representantes da FAO, braço do ONU (Organização das Nações Unidas), incluindo seu diretor geral, o "Fome Zero" é, na verdade, um projeto com 27 programas específicos e é justamente este elenco que demarca uma das suas mais significativas diferenças em relação ao projeto sonhado e implantado por Betinho.

Enquanto a proposta de Betinho buscava sensibilizar principalmente a sociedade civil o "Fome Zero" procura estreitar o vínculo entre poder público e privado, enfatizando que esta terrível mazela social – a fome - só pode ser superada com o engajamento de todos. Seu Coordenador Marcos Martins, filósofo de formação e professor do Centro UNISAL de Americana, faz questão de frisar que, sem a participação da sociedade em todos os níveis – inclusive dos excluídos – não há como implantar e desenvolver um projeto como este: "É importante destacar que o poder público não substituirá as ações já existentes, especialmente as vinculadas às instituições filantrópicas, assistenciais, etc, o que estamos fazendo é ampliar estas ações e mostrar que o poder público tem esta prioridade que é a inclusão social", diz.

Na verdade, Campinas é pioneira na proposta de combater a fome. Em outubro de 2001, antes, portanto, da vitória de Lula, o governo municipal lançou o "Programa de Segurança Alimentar" e alguns de seus principais formuladores, que hoje buscam implantar o "Fome Zero", já pertenciam à administração municipal. Além disso, procurando reverter uma prática comum nos governos iniciantes que muitas vezes jogam políticas de governos anteriores que funcionam, apenas com o argumento de demarcar seu próprio projeto e estilo de governo, Campinas procurou avaliar o que já existia buscando, apenas, corrigir o que considerava inadequado. Assim, fazem parte do "Fome Zero", por exemplo, o Peti (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil) e o Bolsa-Escola, já implementados pelo governo federal.

Dar o peixe e ensinar a pescar

Um dos impasses vividos por projetos pautados na "Caridade" – conceito caro aos cristãos – é a antítese resumida pelo ditado popular que afirma ser correto ensinar a pescar e não simplesmente dar o peixe, pois esta última atitude cria dependentes e fere, muitas vezes, a dignidade pessoal. Para o "Fome Zero", com a atual crise econômica e uma situação real de desemprego, o que se precisa fazer é reunir os dois conceitos, pois a questão central é: há peixes suficientes para todos pescarem? A resposta, objetiva, está no índice de desemprego e na realidade social de exclusão, situações que sempre mobilizaram cristãos e instituições filantrópicas ao exercício da caridade e fraternidade. Por isso mesmo, quando o atual governo federal coloca em primeiro plano o combate à fome reconhece, principalmente, o direito à vida como prioridade absoluta e, de certa forma, amplia o conceito de cidadania retirando-o do gueto exclusivo da vida política.

Trabalhar a urgência que a fome provoca não é, portanto, segundo Martins, estimular a acomodação. Ao contrário: "Nós estamos incentivando a criação de Cooperativas através da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho. E já temos várias funcionando, como a "Cooperativa Vitória", que fornece alimentação e seus integrantes têm, hoje, uma renda média acima de R$ 400,00 por mês", fala o Coordenador do Fome Zero em Campinas. Nesta linha de estimular o trabalho existem ainda o programa das "Hortas Comunitárias" – que geram emprego e usam novas técnicas buscando preservar o meio-ambiente - e, também o "Banco do Povo" com verba de R$ 1 milhão para 2003 que será utilizada para atender solicitação de empréstimos a juros baixos.

Mapeamento da miséria

Segundo Marcos Martins, o sonho de uma sociedade justa não pode mais ignorar a força de um sistema como o capitalista. Se a realidade é esta, o que se precisa fazer é tentar construir estratégias que reafirmem a cidadania. Isso só acontece se as políticas públicas trabalharem com os diversos níveis sociais e buscarem a inclusão social, da criança ao idoso. Nesta linha, o "Fome Zero" prevê, principalmente, o trabalho em parcerias – setor público e privado – e a criação de Conselhos com a participação dos principais agentes envolvidos. E, para que a proposta acontecesse neste eixo, o programa seguiu uma vereda que posse ser resumida em três passos: primeiro, mapear a miséria criando um cadastro único; segundo, planejando as iniciativas para aproveitá-las ao máximo e, por último, aferindo resultados, com métodos científicos.

Com boa parte dos projetos já funcionando, Martins acredita que rapidamente será possível avaliar os primeiros resultados.

Enfim, depois de ser lançado oficialmente, o programa agora ganhou a mídia, para ser divulgado de forma mais ampla. Aqueles que querem outras informações, inclusive para se integrar e ajudar, basta ligar no 0800-7726544. Também é possível participar com doações tanto em espécie (entregar os alimentos no Ceasa-Campinas e na Estação Cultura) como em dinheiro (Banco do Brasil, agência 4203-X c/c 05003-2). Para o Coordenador do Fome Zero estar participando desta proposta significa poder acompanhar e colaborar com um momento da vida brasileira em que finalmente o poder público e privado compreenderam que a pessoa nutricialmente garantida poderá, realmente, estar lutando por seus direitos e dignidades e, assim, partilhar sua vida sob as condições mínimas já sonhadas e anunciadas há quase dois mil anos, por alguém que deu sentido e grandeza à palavra fraternidade.

Os números do "Fome Zero

110 mi, alunos da rede pública atendidos pela merenda escolar. Em junho, a previsão é que chegue a 160 mil. O cardápio enfatiza o consumo de frutas, verduras e legumes frescos;

o banco de alimentos prevê o atendimento de 30 mil famílias por mês;

com o projeto "Convivência e Cidadania" são atendidos cerca de 100 adolescentes, entre 12 a 17 anos, com uma bolsa de estudo no valor de R$ 180,00;

com o Programa Renda Mínima, o investimento municipal é de R$ 4 milhões para 2003, beneficiando cerca de 10 mil famílias;

já existem 4 Hortas comunitárias implantadas;

Pelo 0800-77266544 pode se obter mais informações sobre o Programa.

Doações em dinheiro podem ser feitas no Banco do Brasil, ag 4203-X, c/c 05003-2.

o investimento municipal até agora é de cerca de R$ 20 milhões, enquanto o estadual é de R$ 1,1 milhão e o federal é de R$ 8,2 milhões.

 

 

 




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